Obesidade na Deficiência 💙

Obesidade na Deficiência 💙

Segundo a OMS cerca de 10% da população mundial possui algum tipo de deficiência ou incapacidade. Em Portugal os últimos dados recolhidos (1994) apontam para um número de 905 488 pessoas com deficiência.

Uma alimentação saudável e equilibrada contribui para um crescimento adequado e para a prevenção de doenças como diabetes, obesidade, cardiovasculares e alguns tipos de cancro. Nesse sentido a população portadora de algum tipo de deficiência merece especial atenção devido sobretudo às dificuldades que encontra diariamente.

Os problemas de ordem alimentar que surgem mais habitualmente nas pessoas com deficiências são: excesso de peso/obesidade,  baixo peso, obstipação, problemas de deglutição/disfagia e interação fármaco/alimento.

O tema que será abrangido neste artigo será a problemática de excesso de peso/obesidade na deficiência.

A obesidade é uma doença crónica, caracterizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma acumulação excessiva de gordura corporal originada por um balanço energético positivo, ou seja, a ingestão alimentar excede o gasto energético.

A prevalência de excesso de peso ocorre sobretudo em pessoas com:

  • Síndrome de Down
  • Síndrome de Prader-Willi
  • Espinha bífida
  • Deficiência visual
  • Autismo
  • Disfunções motoras

Por sua vez, o aumento ponderal ocorre pela combinação de diversos fatores, tais como:

  • Estatura baixa devido a crescimento atípico
  • Tonicidade muscular reduzida
  • Limitação da prática de atividade física
  • Diminuição do dispêndio energético
  • Problemas em comunicar a sensação de saciedade
  • Situações de compensação

Em crianças e adolescentes, as situações de compensação alimentar surgem quando os cuidadores ou familiares, por sentimentos de pena, sentem a necessidade de proporcionar sensações de prazer e bem estar através do fornecimentos excessivo de alimentos ou dos designados “alimentos conforto” que por regra apresentam  teores elevados de açúcar e/ou gordura.

No que diz respeito à população adulta, a ingestão alimentar excessiva surge de forma a compensar sentimentos de frustração ou baixa auto-estima.

Recomendações:

  • Adaptar a alimentação às necessidades energéticas e nutricionais do indivíduo;
  • Fazer uma alimentação saudável, equilibrada e variada, de acordo com os conceitos de uma alimentação saudável;
  • Optar por alimentos de reduzida densidade energética em caso de recompensa, como por exemplo gelatina light ou palitos de cenoura;
  • Promover a prática de exercício físico desde que seja sempre adaptada à capacidade física do individuo.

Interação fármaco/alimento

É habitual a toma de vários medicamentos devido aos inúmeros problemas de saúde que apresentam, contudo há diversos medicamentos que podem ter repercussões no estado nutricional, especificamente no que concerne ao aumento de apetite o que por sua vez pode culminar no aumento ponderal.

  • Corticosteróides

Estes fármacos são utilizados como terapia de substituição nos estados de deficiência de adrenalina cortical e também devido aos seus efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores no tratamento de várias doenças como a asma.

Efeitos secundários:

  • Atraso no crescimento
  • Diminuição da densidade mineral óssea
  • Diminuição da absorção de cálcio e fósforo
  • Catabolismo muscular
  • Retenção de sódio e de água podendo provocar hipertensão
  • Aumento da glicose com consequente resistência à insulina
  • Aumento da lipólise
  • Aumento de apetite, com consequente aumento de peso

No entanto, têm-se utilizado cada vez mais os inaladores em substituição dos corticosteróides de uso sistémico, cujos efeitos secundários são significativamente menores quando usados por curtos períodos de tempo.

No tratamento da depressão, enurese noturna (idades superiores a 6 anos) e défice de atenção em crianças e jovens adultos podem ser usados os antidepressivos tricíclicos.

Efeitos secundários :

  • Obstipação/diarreia
  • Xerostomia
  • Dispepsia
  • Náuseas e vómitos
  • Aumento do apetite com consequente aumento ponderal
  • Anticonvulsivantes

Estes medicamentos são utilizados no tratamento de convulsões em pessoas com distúrbios neurológicos.

O uso prolongado destes medicamentos pode promover o risco de deficiências nutricionais, como a vitamina D, o ácido fólico, as vitaminas B6 e B12.  De forma a detectar essas deficiências nutricionais deve ser feito um controlo analítico regularmente.

Efeitos secundários:

  • Náuseas
  • Vómitos
  • Diarreia
  • Letargia
  • Perda ou ganho de peso
  • Ganho de peso

Texto adaptado de: NUTRIÇÃO E DEFICIÊNCIA(S). Maria Antónia Campos, Rita Sousa. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável Direção-Geral da Saúde. ISBN 978-972-675-220-2. Lisboa, 2014.

Fonte da Imagem: Fita


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